“Vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus.” João 16:2
Recentemente, uma frase pronunciada por um ministro do Supremo Tribunal Federal chamou minha atenção: “Em nome de Deus já se fez muita patifaria.”
Independentemente do contexto político e jurídico em que a declaração foi feita, a frase aponta para uma realidade que a própria Bíblia reconhece há muito tempo: o nome de Deus pode ser usado por pessoas para justificar coisas que Deus jamais aprovou.
E isso não deveria nos surpreender. Jesus advertiu seus discípulos de que chegaria o momento em que pessoas fariam coisas terríveis acreditando, inclusive, que estavam servindo a Deus:
“Vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus.” (João 16:2)
Observe a gravidade das palavras de Jesus. Ele não disse apenas que seus discípulos seriam perseguidos. Disse que alguns de seus perseguidores fariam isso convencidos de que estavam prestando um serviço a Deus.
Existe uma enorme diferença entre fazer alguma coisa em nome de Deus e fazer alguma coisa segundo a vontade de Deus.
A história bíblica está repleta de pessoas que invocaram Deus enquanto contrariavam aquilo que Deus havia revelado.
Jesus fez uma das advertências mais sérias sobre isso:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 7:21)
Havia linguagem religiosa. Havia confissão verbal. Havia até reivindicação de obras extraordinárias realizadas em seu nome.
Mas Jesus não se deixou impressionar pelo uso de seu nome.
Talvez um dos exemplos mais impressionantes seja o próprio apóstolo Paulo.
Antes de sua conversão, Paulo não perseguia os cristãos porque acreditava estar lutando contra Deus. Exatamente o contrário. Ele acreditava estar defendendo a causa de Deus.
Mais tarde ele confessaria:
“Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres.”
(Atos 22:4)
Paulo era religioso, zeloso, disciplinado e profundamente comprometido com aquilo em que acreditava.
E estava errado. Seu zelo não transformava o erro em verdade.
Por isso ele escreveria posteriormente sobre seus compatriotas:
“Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento.”
(Romanos 10:2)
O próprio Cristo foi condenado em nome da religião Talvez aqui esteja o exemplo mais perturbador de todos.
Jesus não foi entregue à morte apenas por pessoas que rejeitavam qualquer ideia de Deus. Entre aqueles que exigiram sua condenação estavam homens profundamente religiosos.
Em determinado momento, disseram a Pilatos:
“Nós temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer.” (João 19:7)
Eles estavam diante do Filho de Deus e, em nome da defesa da religião, queriam matá-lo.
Que paradoxo!
Defendiam Deus enquanto rejeitavam o Filho de Deus.
O terceiro mandamento diz:
“Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão.” (Êxodo 20:7)
Tomar o nome de Deus em vão envolve muito mais do que utilizar seu nome de maneira irreverente. O princípio nos alerta para a seriedade de associarmos o santo nome de Deus àquilo que é falso, vazio ou contrário à sua vontade.
O nome de Deus não pode ser usado para autorizar aquilo que a Sua Palavra condena.
Porque o nome de Deus não transforma mentira em verdade, injustiça em justiça, ódio em amor ou pecado em santidade.
A história já demonstrou inúmeras vezes que coisas terríveis podem ser feitas em nome de Deus.
E o cristão tem o dever de discernir quem vive, ensina e age de acordo com aquilo que Deus revelou.