“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela; porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram.” (Mateus 7:13-14)
Muitas pessoas acreditam que, se uma ideia é aceita pela maioria, ela deve estar correta.
Por exemplo: Quanto mais seguidores, mais influência. Quanto maior o público, maior é o sucesso.
O triste é que essa lógica também invadiu o ambiente religioso.
Entretanto, Jesus encerra o Sermão do Monte dizendo exatamente o contrário.
Ele afirma que existem apenas dois caminhos. Não três, nem muitos. Um conduz à vida, o outro conduz à perdição. Um é estreito, o outro é largo. E o detalhe mais surpreendente é que a maioria está no caminho errado.
O caminho largo não é apenas o caminho da imoralidade ou da incredulidade. Muitas vezes, é também o caminho de uma religiosidade confortável, sem arrependimento, sem santidade e sem submissão a Cristo. É o caminho onde se pode falar de Deus sem obedecê-lo, admirar Jesus sem segui-lo e frequentar uma igreja sem experimentar uma verdadeira transformação.
Por isso, Jesus não pergunta quantas pessoas estão caminhando conosco. Ele pergunta por qual porta nós entramos.
O caminho estreito é estreito porque exige renúncia. Nele não cabe o orgulho, a autossuficiência nem a justiça própria. É o caminho daqueles que reconhecem sua necessidade da graça de Deus e se submetem ao senhorio de Cristo. Não é um caminho de perfeição, mas de arrependimento contínuo e de fidelidade.
Logo em seguida, Jesus faz uma advertência importante:
“Acautelai-vos dos falsos profetas…” (Mateus 7:15)
Isso nos ensina que o caminho largo nem sempre parece errado. Muitas vezes ele é apresentado por pessoas sinceras na aparência, com discursos agradáveis e mensagens atraentes. O perigo da mentira está justamente em sua semelhança com a verdade. Por isso, Cristo nos manda examinar os frutos e permanecer firmes na sua Palavra.
A advertência torna-se ainda mais solene alguns versículos depois:
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai…” (Mateus 7:21)
Perceba a progressão do ensino de Jesus. Primeiro, há dois caminhos. Depois, dois tipos de mestres. Em seguida, dois tipos de discípulos. E, finalmente, duas casas construídas sobre fundamentos diferentes. Todo o encerramento do Sermão do Monte nos conduz à mesma pergunta: nossa fé é genuína ou apenas acompanha o fluxo da maioria?
Essa é uma pergunta que cada cristão precisa responder diante de Deus.
É mais confortável seguir o pensamento predominante, adaptar o evangelho aos desejos do coração e evitar o custo do discipulado. Mas Jesus nunca chamou pessoas para seguirem a multidão. Ele chamou homens e mulheres para segui-lo.
No Evangelho de João, quando muitos abandonaram Jesus por causa de seus ensinos difíceis, Ele perguntou aos discípulos:
“Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (João 6:67)
Pedro respondeu com uma das mais belas declarações da Escritura:
“Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.” (João 6:68)
Essa continua sendo a resposta do verdadeiro discípulo.