“Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.” 2 Timóteo 2:19
Recentemente, durante uma conversa sobre política e critérios para a escolha de candidatos, um deputado estadual fez uma declaração que chamou a atenção. Ao falar sobre a possibilidade de escolher entre pessoas consideradas corruptas, afirmou que se deveria considerar quem seria “menos corrupto” ou quem, “pelo menos, é corrupto, mas é cristão”.
Não quero aqui discutir o deputado, o partido ou o político a quem ele se referia. Também é importante dizer que aquela declaração expressava a avaliação do próprio deputado, e não uma conclusão judicial sobre a pessoa mencionada.
O que me preocupa é outra coisa: o que acontece quando usamos a palavra “cristão” para diminuir a gravidade do pecado?
“É corrupto, mas é cristão.”
Há algo profundamente preocupante nessas palavras.
A palavra cristão não pode funcionar como uma espécie de salvo-conduto moral. Não podemos condenar a injustiça quando praticada por aqueles de quem discordamos e relativizá-la quando praticada por alguém que se identifica conosco.
A Bíblia não estabelece dois padrões de justiça: um para os “nossos” e outro para os “outros”.
Aliás, Paulo caminha exatamente na direção contrária:
“Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.” 2 Timóteo 2:19
Paulo não diz: “Aquele que professa o nome do Senhor pode ter sua injustiça relativizada.”
Ele diz:
Aparte-se da injustiça.
Professar o nome de Cristo não diminui nossa responsabilidade moral. Pelo contrário, aumenta a seriedade com que devemos considerar nossa maneira de viver.
Ser cristão é muito mais do que adotar uma identificação religiosa.
Quem carrega o nome de Cristo é chamado a viver “de modo digno do evangelho de Cristo” (Fp 1:27).
Não podemos exigir honestidade dos outros e abrir exceções para os nossos.
Nossa ética não pode mudar de acordo com quem está praticando o pecado.
Pedro negou Jesus, o fato de ser discípulo não tornou sua negação menos grave.
O evangelho nos confronta, nos conduz ao arrependimento, nos perdoa e produz em nós uma vida diferente.
Por isso, ser cristão deveria nos tornar ainda mais comprometidos com a verdade, a justiça, a honestidade e a integridade.
Paulo escreveu:
“Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.”
2 Coríntios 8:21
Nossa fé precisa ser visível também na maneira como administramos dinheiro, exercemos autoridade, tratamos pessoas, cumprimos nossa palavra e lidamos com aquilo que pertence aos outros.
Seguir a Cristo não torna o meu pecado menos grave.