“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade.” Efésios 2:14
O Brasil está dividido entre diferentes projetos de sociedade, visões de mundo e propostas para o futuro do país.
A existência dessas divergências não deveria nos surpreender. Em uma sociedade plural, as pessoas pensam de maneiras diferentes sobre economia, segurança, educação, justiça, costumes e o papel do Estado.
O que deveria nos preocupar é quando a mesma divisão entra na igreja e transforma irmãos em adversários.
Cristãos que adoram o mesmo Deus, confessam o mesmo Cristo, leem a mesma Bíblia e esperam a mesma eternidade, não deveriam se tratar como inimigos porque pensam politicamente diferente.
O cristão pode ter posições políticas. Pode participar do debate público, defender propostas e até exercer funções políticas.
O problema começa quando nossa identidade política se torna mais importante do que nossa identidade cristã.
A Bíblia diz:
“Pois a nossa pátria está nos céus.” Filipenses 3:20
Isso não significa que devemos abandonar nossas responsabilidades como cidadãos deste mundo.
Somos brasileiros, mas antes de tudo pertencemos a Cristo.
Podemos ter posições diferentes em determinadas questões. Podemos concordar com propostas consideradas de direita e discordar de outras. Podemos reconhecer preocupações legítimas normalmente associadas à esquerda e rejeitar outras.
Mas nenhuma dessas categorias pode definir completamente um discípulo de Jesus.
Isso significa que precisamos estar dispostos a permitir que a Palavra de Deus confronte inclusive o grupo político com o qual mais nos identificamos.
Quando consigo enxergar facilmente os erros do outro lado, mas nunca os erros do meu próprio lado, talvez eu já não esteja apenas defendendo convicções, e sim uma tribo.
Um lado pode enfatizar valores como família, responsabilidade individual, liberdade, ordem e moralidade.
Outro pode enfatizar justiça social, pobreza, desigualdade, proteção dos vulneráveis e direitos das pessoas.
Mas por que o cristão precisaria escolher entre essas preocupações?
O Deus que valoriza a família também ordena cuidado com o pobre.
O Deus que ensina responsabilidade pessoal também exige generosidade.
O Deus que estabelece padrões morais também condena a injustiça.
O Deus que ordena trabalhar também ordena repartir.
O Deus que protege a propriedade também condena a exploração.
O Deus que nos chama à verdade também nos chama à misericórdia.
Algumas dessas preocupações podem ser classificadas pela sociedade como “de direita”. Outras como “de esquerda”.
O que vemos no Brasil e no mundo, é que nenhum partido politico representa perfeitamente o Reino de Deus.
Nenhuma ideologia política consegue carregar toda a riqueza da visão bíblica acerca do ser humano e da sociedade.
Quando um cristão já não consegue criticar o político em quem votou, o partido que apoia ou o movimento ao qual se sente próximo, existe um sério perigo de idolatria política.
Somente Cristo merece nossa lealdade absoluta.