“Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso ficaram prostrados no deserto.” 1 Coríntios 10:5
Quando Deus libertou Israel da escravidão do Egito, as Escrituras dizem que “uma multidão mista subiu também com eles” (Êxodo 12:38).
Os hebreus não eram os únicos escravos de Faraó. Quando Deus quebrou as correntes da escravidão, muitos aproveitaram aquela oportunidade para deixar o Egito junto com Israel.
Imagine, então, a missão confiada por Deus a Moisés: conduzir aquela multidão e ensiná-la a viver pela fé em um Deus invisível.
Mas havia um grande desafio. Entre o povo estavam pessoas que não criam verdadeiramente no Senhor, não aceitavam Sua direção e tampouco desejavam obedecer à Sua Palavra.
Com o passar do tempo, essa incredulidade começou a se manifestar.
Em Números 11:4, algumas traduções chamam esse grupo de “o vulgo”, dizendo:
“O vulgo que estava no meio deles veio a ter grande desejo…”
Sua murmuração rapidamente contaminou o restante do povo, e até os israelitas voltaram a reclamar contra Deus.
A incredulidade sempre exerce influência. Ela dificilmente permanece isolada.
Por isso, durante quarenta anos, Moisés permaneceu fiel ao Senhor, mesmo sendo alvo constante de murmuração, oposição e rebeldia. Seu compromisso não dependia da aprovação das pessoas, mas da fidelidade a Deus.
O apóstolo Paulo relembra esse episódio em 1 Coríntios 10 para advertir a igreja. Todos haviam experimentado grandes privilégios espirituais, mas a maioria pereceu no deserto por causa da incredulidade.
A lição é clara: participar do povo de Deus não é o mesmo que possuir uma fé verdadeira.
O próprio Jesus ensinou essa realidade.
Quando pregava, era ouvido tanto por pessoas que criam quanto por pessoas que apenas buscavam benefícios terrenos.
Havia homens como Simeão, que “esperavam a consolação de Israel” (Lucas 2:25), mas também multidões que procuravam apenas pão e peixe (João 6:26). Como escreveu Paulo:
“Só pensam nas coisas terrenas.” (Filipenses 3:19)
Jesus também declarou que, até o fim dos tempos, o joio e o trigo cresceriam juntos (Mateus 13:24-30).
Isso significa que, na igreja visível, convivem pessoas de fé genuína e pessoas cuja profissão de fé nunca alcançou o coração.
Quando alguém permanece na igreja sem fé em Cristo, torna-se vulnerável à murmuração, à rebeldia e à incredulidade, influenciando outros a seguir o mesmo caminho.
Essa realidade torna ainda mais desafiador o ministério pastoral.
A missão do pastor continua sendo a mesma de Moisés: ensinar o povo de Deus a viver pela fé.
Por isso, a murmuração não é apenas um pecado contra Deus; ela também torna pesado o trabalho daqueles que velam pelas almas da igreja (Hebreus 13:17).
Mas, assim como Moisés foi fiel ao Senhor durante toda a sua caminhada, os pastores são chamados a permanecer fiéis, independentemente das dificuldades.
Quanto ao joio, Jesus ensinou que permanecerá entre o trigo até a colheita final. Contudo, se não houver arrependimento e verdadeira fé em Cristo, o destino será o juízo de Deus, assim como a incredulidade pereceu no deserto.
Que cada um de nós examine o próprio coração.