Paulo não escondia a sua história; ele fazia questão de lembrar quem era e o que Cristo havia feito em sua vida.
Ele fez isso apesar de eu ter sido blasfemo, perseguidor e insolente. (1 Tm 1:13)
Paulo não traz à memória o seu passado para se acusar, mas para exaltar a graça. Ele reconhece quem foi, não para viver preso à culpa, mas para glorificar aquele que o resgatou.
Ele desejava que outros conhecessem a sua história e se enchessem de esperança, entendendo que a mesma graça que o havia transformado era poderosa o suficiente para transformar qualquer homem.
E a graça de nosso Senhor transbordou sobre mim, com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.
(1 Tm 1:14)
A ênfase de Paulo não está na profundidade do seu pecado, mas na abundância da graça que o alcançou. Onde o pecado abundou, a graça transbordou ainda mais.
Paulo afirma que o que aconteceu com ele não foi um caso isolado, mas um exemplo do que Cristo faria com todos os que viessem a crer.
…para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, e me tornasse um modelo para todos quantos haveriam de crer nele para a vida eterna. (1 Tm 1:16)
A palavra que Paulo utiliza é hupotyposis, que significa um esboço, um primeiro rascunho, um modelo preliminar.
É como se Paulo estivesse dizendo: “Olhem o que Cristo fez comigo! Se alguém como eu pode ser salvo, então há esperança para qualquer pessoa.” A vida de Paulo se torna um retrato vivo da paciência e da misericórdia de Deus.
Quando lembramos o quanto Deus nos ama e quão pouco merecíamos esse amor, quando lembramos que Jesus Cristo foi pendurado e padeceu no Calvário por nós, somos levados a reconhecer que temos plena consciência do que Ele fez, e que o sacrifício de seu Filho não foi em vão.
Lembrar daquilo pelo qual fomos perdoados é a forma mais segura de manter aceso o nosso amor, a nossa gratidão e a nossa devoção por Jesus Cristo.
Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor. (1 Tm 1:12)
Paulo se recusava a esquecer seus pecados, não para viver aprisionado a eles, mas porque cada vez que lembrava a grandeza do seu passado, também se lembrava da ainda maior grandeza da graça de Cristo.