Elias Marcelino
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Quando o pastor deixa de ser servo

“Escrevi à igreja, mas Diótrefes, que gosta de ser o mais importante entre eles, não nos recebe.” (3 João 1:9)

 

Infelizmente, muitos líderes — inclusive pastores — correm o risco de pensar que estão de alguma forma acima da lei; que as regras se aplicam a todos, menos a eles. Por terem sido colocados como responsáveis pela aplicação das normas e pela condução do povo, alguns passam a acreditar que não precisam mais se submeter às mesmas regras que pregam.

 

Outros chegam a pensar que, por serem líderes espirituais, possuem uma espiritualidade diferenciada… como se fossem quase o “quarto membro da Trindade”. Mas se esquecem das palavras do próprio Filho de Deus:

 

“Quem quiser ser o primeiro entre vós, seja servo de todos.” (Marcos 10:44)

 

A verdade é que muitas ovelhas não têm ideia do que seu pastor vê on-line, de como trata seu cônjuge ou se dedica realmente tempo à comunhão com Deus. Em tempos de redes sociais, muitos avaliam sua aprovação diante de Deus pelo número de curtidas que recebem. Como se a opinião virtual fosse a verdade sobre suas vidas. Assim, passam a considerar-se mais saudáveis espiritualmente do que realmente são.

 

É uma psicologia distorcida, mas existe: alguns pastores acreditam que, por estarem há muitos anos à frente de uma igreja, isso por si só já é prova de que estão sendo usados de maneira extraordinária por Deus. No entanto, longe disso, longe da cruz, qualquer liderança pode se corromper.

 

Diótrefes foi seduzido pelo poder e pela autoridade. Deixou de ouvir conselhos, rejeitou a comunhão com seus companheiros e passou a agir como dono da igreja. Seu exemplo permanece como alerta: líderes têm, sim, um certo grau de autoridade — e a Bíblia reconhece isso —, mas esse poder pode ser terrivelmente mal utilizado para interesses próprios.

 

Hoje vemos um número crescente de pastores que caem justamente por abuso de liderança. Eles ignoram a exortação clara do apóstolo Pedro:

 

“Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas sejam exemplos para o rebanho.” (1 Pedro 5:3)

 

Ao invés de manifestarem o espírito de servo, tornam-se autocráticos e ditatoriais, chegando a abusar emocionalmente e verbalmente daqueles que deveriam cuidar com amor.

 

Vencer esses perigos exige autocrítica, vigilância constante e, sobretudo, humildade.

O objetivo de qualquer líder não é apenas começar bem, mas também terminar bem. Integridade não é construída apenas nos primeiros anos, mas mantida até o último dia.

 

E assim João orienta Gaio — e a nós também:

 

“Amado, não imite o que é mau, mas o que é bom.” (3 João 1:11)

Elias Marcelino
Enviado por Elias Marcelino em 09/12/2025
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