A igreja de Jesus nasceu no coração do Império Romano, no tempo do imperador Tibério César (14–37 d.C.), quando Cristo foi crucificado e ressuscitou. Desde então, o evangelho começou a se espalhar rapidamente por todas as províncias, alcançando judeus e gentios.
Os imperadores romanos eram vistos como figuras quase divinas, exigindo culto e lealdade absoluta. Essa exigência logo entrou em choque com a fé cristã, que reconhecia somente Jesus Cristo como Senhor (Fp 2:11). Por isso, os cristãos eram considerados “ateus” pelos romanos (por rejeitarem os deuses) e “subversivos” (por não adorarem o imperador).
Ao longo dos três primeiros séculos, diferentes imperadores reagiram de formas variadas diante do crescimento da igreja: alguns foram indiferentes, outros criaram leis moderadas, e alguns desencadearam perseguições ferozes. Essas perseguições, no entanto, não destruíram a fé; ao contrário, fortaleceram os discípulos de Cristo. Como dizia Tertuliano, um dos primeiros escritores cristãos:
“O sangue dos mártires é a semente da Igreja.”
Os principais Imperadores que perseguiram a igreja foram:
• Nero (54–68): Primeiro perseguidor sistemático. Acusou os cristãos pelo incêndio de Roma (64). Segundo a tradição, Pedro e Paulo foram martirizados sob seu governo.
• Domiciano (81–96): Mandou executar cristãos, inclusive membros da família imperial. Possível perseguidor do contexto do Apocalipse.
• Trajano (98–117): Regulamentou perseguições: cristãos não deviam ser procurados ativamente, mas, se denunciados e não renegassem a fé, seriam executados (Carta a Plínio, o Jovem).
• Adriano (117–138): Mais moderado, proibiu execuções sem julgamento.
• Marco Aurélio (161–180): Estóico, hostil ao cristianismo por considerá-lo superstição. Muitos mártires nesse período (Justino Mártir, Policarpo).
• Sétimo Severo (193–211): Proibiu conversões ao cristianismo e judaísmo. Perseguição forte no Egito e Norte da África.
• Décio (249–251): Primeiro a exigir sacrifícios públicos aos deuses como prova de lealdade. Início de perseguição estatal organizada.
• Valeriano (253–260): Reforçou perseguições: clero devia ser eliminado, propriedades da Igreja confiscadas.
• Galiano (260–268): Reverteu política de Valeriano, trouxe período de paz relativa (“Édito de Tolerância de Galiano”).
• Aureliano (270–275): Inicialmente tolerante, mas caminhava para repressão quando morreu.
• Diocleciano (284–305): A “Grande Perseguição” (303–311). Queima de escrituras, destruição de igrejas, prisão e execução de líderes. Foi a perseguição mais intensa.
• Galério (305–311): Continuou a perseguição, mas antes de morrer emitiu o Édito de Tolerância (311), pedindo que os cristãos orassem pelo império.
Assim, a história mostra que, mesmo diante do poder absoluto de Roma, a igreja de Jesus avançou, porque a promessa do Senhor se cumpria:
“Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16:18).